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30 de março de 2015

INDÚSTRIA FARMACÊUTICA EXPANDE DIAGNÓSTICOS E INVENTA DOENÇAS



– Existe um número muito maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante, para a indústria farmacêutica, fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso. Uma delas é mudar o padrão do que se caracteriza como doença. Outra é criar novas doenças.

Parece teoria conspiratória. Mas a declaração da médica e professora Adriane Fugh-Berman é baseada em anos de pesquisa a respeito das práticas da indústria farmacêutica e da facilidade com que ela manipula os médicos, usados não apenas para vender remédios, mas também para promover doenças. No momento, ela está pesquisando algo que descobriu faz pouco tempo. Representantes de fabricantes de material cirúrgico muitas vezes são vistos dentro de salas de operação “ajudando” os cirurgiões. “Que relacionamento é esse?”, quer saber a pesquisadora.

Adriane Fugh-Berman é formada pela escola de medicina da Universidade Georgetown com especialização em medicina familiar. Militou em uma organização voltada à saúde da mulher e ouviu muitas más respostas de médicos, há duas décadas, quando reclamava que não existiam estudos comprovando a necessidade de tratamentos hormonais para mulheres na menopausa. Existia, isso sim, risco — como mais tarde ficou comprovado. O tratamento hormonal aumentou em muito os casos de cancro de mama e a prática mudou. Antes disso, ela ouviu muitas críticas em conferências e seminários médicos.

Quando embarcou no estudo e no programa de educação a respeito da relação dos médicos com a indústria farmacêutica, ela esperava uma reação ainda pior. Professora adjunta do Departamento de Farmacologia e Fisiologia da Georgetown, ela recebeu uma verba para estruturar o programa voltado para a educação dos médicos e para expor as práticas de marketing da indústria, os métodos que ela emprega para influenciar a prescrição de medicamentos. Tarefa espinhosa.

Filha de um casal ativo nos anos sessenta, nos protestos contra a guerra do Vietname, a médica e professora Adriane Fugh-Berman abraçou a oportunidade e criou um blog bem sucedido, com informações e denúncias de gente que trabalhou na indústria farmacêutica e aprendeu as técnicas empregadas para conquistar e influenciar os médicos. Nos últimos dez anos, ela viu resultados do trabalho nos Estados Unidos. Mas alerta que a indústria farmacêutica vê o Brasil, a China e a Índia como os principais mercados para a expansão da venda de remédios.

Fugh-Berman escreveu vários artigos mostrando que a indústria seleciona profissionais ainda em formação, nos chamados Cursos de Educação Continuada (CME). Vendedores bem preparados identificam possíveis formadores de opinião nos centros médicos das universidades: médicos, enfermeiros e assistentes. Eles são paparicados.

Recebem presentes, atenção, são convidados para jantar. Depois de uma checagem, são escolhidos os que poderão falar em nome da indústria e servir aos propósitos mercadológicos. Enquanto falam o que a indústria quer ouvir e divulgam, no setor, a visão das empresas, continuam recebendo todos os privilégios. Assim, as farmacêuticas vão comprando acesso aos profissionais que podem prescrever e promover remédios.



Viomundo – Como, quando e por que você lançou o blog Pharmedout, da Universidade Georgetown, do qual é diretora?

AFB – Originalmente, fomos financiados com dinheiro de uma punição. A Warner Lambert, que era uma subsidiária da Pfizer, foi processada pelos 50 estados americanos mais o Distrito de Columbia por causa da propaganda de um composto que aqui nos EUA se chama Gabapentin.

É um remédio para convulsões, para epilepsia, que estava sendo vendido e promovido como sendo um remédio para depressão e bipolaridade, dor muscular, tudo…

Houve um acordo na justiça a respeito da propaganda ilegal desse remédio. [Nota do Viomundo: Em 2004, a Pfizer foi obrigada a pagar US$ 430 milhões pela propaganda fraudulenta do remédio, vendido com o nome de Neurontin].

Os procuradores estaduais decidiram usar parte do [dinheiro do] acordo para financiar esforços de educação de médicos e do público a respeito das propagandas da indústria farmacêutica. Acho que eles financiaram 26 centros médicos universitários para criar modelos educativos.

Nós recebemos financiamento por dois anos e tivemos melhores resultados do que os outros projetos e somos o único projeto que continua sobrevivendo. Ao menos dos que não existiam antes disso. Existem uns dois que já funcionavam antes.

Eu venho de um ativismo na área de saúde. Trabalhei com um grupo chamado Rede de Saúde da Mulher que não recebe dinheiro algum da indústria e já tinha experiência com essa história de tentar promover mudança social sem ter orçamento…

Produzimos vídeos com gente que trabalhou na indústria, escrevemos análises de artigos acadêmicos, divulgamos material educacional na internet e não recebemos mais dinheiro desde 2008.

Viomundo – Como estão sobrevivendo?

AFB – Estamos sobrevivendo de doações individuais e organizamos uma conferência todo ano. Pedimos algum dinheiro para a escola e cobramos uma taxa de inscrição, apesar de deixarmos todo o mundo que não tem dinheiro entrar de graça porque tem muitos estudantes e eles não pagam nada, por exemplo.

Levantamos um pouquinho de dinheiro com a conferência e algumas doações da escola. Por exemplo, a verba para estudar a relação entre cirurgiões e representantes dos fabricantes de material cirúrgico que ficam dentro da sala de operações ajudando os cirurgiões e ninguém sabe nada a respeito dessas relações e como começaram.

Ganhamos um dinheiro do departamento de filosofia da Georgetown para essa pesquisa. Mas a maior parte da nossa verba vem de contribuições individuais. Temos apenas um funcionário remunerado. Eu não ganho nada do projeto e temos voluntários. Quando o dinheiro acabou, em 2008, ninguém saiu. Todo mundo ficou no projeto. E continuaram fazendo trabalho voluntário nos últimos cinco anos.

Viomundo – Num dos seus artigos você diz que a indústria farmacêutica promove doenças e não apenas a venda de remédios. Você pode explicar e dar exemplos do que está falando?

AFB – Existe um número maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante para a indústria fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso.

Uma delas é mudar o padrão do que caracteriza uma doença. Essa é uma área muito vasta e interessante. O padrão para diagnóstico de pressão alta e diabetes e colesterol alto caiu ao longo dos anos.

Viomundo – Para incluir mais gente nessas categorias de doentes?

AFB – Exatamente. Quando eu estava na escola de medicina, uma pressão de 12 por 8 era considerada perfeita. Era o alvo. E agora é considerada pré-hipertensão.

Viomundo – Como aconteceu essa mudança?

AFB – Existem comités que fazem as recomendações para essas mudanças e eles estão cheios de gente que recebe dinheiro das grandes empresas farmacêuticas.

Por exemplo, o Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol é supostamente independente e assessora o governo a respeito da maneira de administrar o colesterol.

O comitê que decidiu reduzir as metas tinha uma única pessoa com menos de três conflitos de interesse com os fabricantes de remédios de colesterol. Não sei nem se era zero, mas menos de três!

Obviamente, qualquer pessoa tomando decisões a respeito de remédios para um hospital ou um país não deve ter nenhum conflito de interesse com nenhum fabricante de remédios.

Outra forma de fazer com que pessoas saudáveis pensem que são doentes é expandir a categoria da doença ou até mesmo criar doenças.

Por exemplo, restless leg syndrome (síndrome da perna que não para). É uma doença real, neurológica, raríssima.

Mas foi redefinida de forma que se você está agitado durante a noite, pode ser diagnosticado com essa doença.

Outro exemplo é a doença da ansiedade social. É bom notar que a psiquiatria é a profissão mais suscetível a diagnósticos questionáveis porque todos os diagnósticos são subjetivos.

Dependem muito da cultura e não existe nenhuma prova, nenhum exame para comprovar a existência da doença. Por isso é um alvo.

Uma das categorias que talvez tenha sido criada é essa doença da ansiedade social que antes chamávamos de vergonha.

Outra que foi criada é osteopenia, ou baixa massa óssea, que agora é considerada precursora da osteoporose e a osteoporose é apenas um fator de risco. Não é uma doença, é uma indicação de risco para quedas e fratura de ossos.

Então a osteoporose é um fator de risco para um fator de risco de uma doença. E a osteopenia é um fator de risco para um fator de risco para um fator de risco.

Viomundo – E eu aposto que existe um remédio para isso…

AFB – Claro. E os remédios mais usados podem aumentar o risco de fraturas se forem tomados por mais de cinco anos!

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) também seria um exemplo de algo que provavelmente existe, mas agora qualquer criança que não se comporta na sala de aula é diagnosticada com TDAH e medicada.

Outra coisa que foi inventada é TDAH em adultos. Antes só existia em crianças. Agora também existe em adultos e assim podem continuar tomando remédios o resto da vida.

Existe também um esforço para classificar o vício em nicotina como uma doença porque as empresas que vendem produtos para ajudar a parar de fumar… as empresas de seguro de saúde só cobrem os gastos com esses produtos por dois meses porque eles devem te ajudar a parar de fumar. Depois de dois meses você parou de fumar e pronto.

Mas existe um movimento das empresas que fabricam esses produtos para classificar esse vício como uma doença para que os seguros cubram o custo do uso desses produtos pelo resto da vida.

Assim, eles tentam provar para os fumantes que eles não podem parar e que é melhor substituir o cigarro por um desses produtos. Talvez seja melhor mesmo usar um substituto da nicotina do que fumar, mas quem está tomando essa decisão são as empresas farmacêuticas que usam formadores de opinião na comunidade médica. E essas decisões não são baseadas em Ciência.

São tomadas apenas porque empresas biomédicas poderosas garantem que as opiniões que são favoráveis a elas calem as opiniões contrárias.

Metade das pessoas que consegue eliminar o cigarro com sucesso simplesmente param de fumar. E a indústria farmacêutica odeia isso. Quer fazer com que as pessoas acreditem que necessitam da ajuda dela. E que não podem parar sozinhas ou talvez não possam nunca parar.

É um recado horrível não somente para os consumidores, mas para os profissionais de saúde dizer: “Seus pacientes não conseguem parar de fumar”. Porque isso é o que você tenta primeiro. Se isso não funcionar, então usa um substituto. Mas alguns desses produtos também têm efeitos adversos.

Viomundo – Você diria que no fim do dia o dinheiro é a causa de todos esses problemas? A ganância? 

AFB – Acho que o mais importante é separar a indústria farmacêutica da educação, da regulamentação e das decisões a respeito de que remédios e tratamentos devem ser cobertos.

Não se pode permitir que a indústria se envolva com a educação, que influencie a regulamentação e participe dos comités que decidem que remédios são cobertos.

Eles podem apresentar argumentos e, se tiverem informações, podem apresentar para o comité. Mas as pessoas que participam desses comités não podem ter conflitos de interesse.

E uma das armadilhas é o seguinte conceito: “Eu não tenho conflito de interesses com essas empresas em particular”. Se estou avaliando um remédio, talvez eu tenha uma relação com a empresa B, mas estamos avaliando um produto da empresa A. Então não é um conflito de interesse.

Isso é uma tremenda armadilha por vários motivos. Um deles é que promover um remédio é muito mais do que divulgar os benefícios daquela droga. Pode ser também divulgar informações negativas a respeito de outros remédios. Divulgar informações negativas a respeito de dietas e exercícios. E não está mencionando o remédio da empresa com a qual tem relações.

O que muita gente não sabe e é muito importante é que a promoção de um remédio às vezes começa dez anos antes dele chegar ao mercado. Essa droga pode nem ter sido testada em humanos ainda, mas a empresa já está tentando plantar a semente na cabeça dos médicos de que a doença é um grande problema, que não é brincadeira.

“TDAH destrói vidas. Síndrome da ansiedade social destrói vidas. É uma epidemia trágica. Muito mais séria e abrangente do que você pensa”.

Isso começa anos antes. Pessoas são pagas para falar sobre isso. Quando a droga chega ao mercado você diz “graças a Deus surgiu um remédio para essa doença incurável da qual ouço falar há anos!”.

Viomundo – Por que a população em geral e os médicos, em particular, caem nessa armadilha tão facilmente e com tanta frequência?

AFB – Olha, é mais difícil enganar a população do que os médicos. É muito fácil enganar os médicos. Por vários motivos. Ao menos nos EUA, os médicos, em geral, vêm das classes mais altas da sociedade. Nunca venderam nada. Não têm vendedores na família. Não têm familiaridade com técnica de vendas.

Às vezes conversamos com estudantes que têm vendedores na família e eles identificam claramente as técnicas de vendas. Os médicos não reconhecem. Não apenas vêm das classes mais altas, mas também são ingênuos.

Aparentemente, nos Estados Unidos, e não sei se isso se aplica também ao Brasil, os médicos são mais suscetíveis a golpes financeiros. Eles são inteligentes. São muito bons nas provas de múltipla escolha. Mas não têm esperteza. São crédulos. Para mim foi muito interessante descobrir isso.

Viomundo – Isso não é apenas uma maneira de desculpá-los facilmente? Eles não deveriam ter mais responsabilidade sobre o que estão fazendo?

AFB – Mas eles não são expostos… Ok, nós fazemos uma apresentação chamada “Porque o almoço é importante” e trabalhamos nela com muito cuidado. Usamos psicologia social para ajudar os médicos a perceber esses truques. Uma das coisas que fizemos na apresentação foi, numa das primeiras vezes que a testamos, espalhei pessoas na plateia para anotar os comentários que os médicos faziam. Pegamos os comentários mais comuns e transformamos em slides. Depois usamos esses slides com outras plateias e teve um efeito impressionante.

Um deles, por exemplo, dizia: “Você está errado, os representantes das indústrias farmacêuticas são meus amigos!” ou “eu sou muito inteligente para ser comprado por uma fatia de pizza e você está sugerindo isso!”

Pusemos esses comentários nos slides e depois explicamos porque estavam errados. Os médicos ficaram chocados. Realmente chocados! Porque mostramos o que estavam pensando. Foi muito eficaz.

As pessoas saíram das nossas apresentações jurando que jamais receberiam um representante da indústria novamente. Nunca iriam a um jantar pago pela indústria novamente. Ninguém gosta de ser enganado e quando você descobre que está sendo enganado você fica com raiva. E eles não estavam com raiva de nós e sim dos fabricantes de remédios.

A grande maioria dos médicos quer fazer o melhor para os seus pacientes. Existem alguns que fazem qualquer coisa por dinheiro. Mas eles são a minoria. A maioria quer fazer o melhor para os pacientes. Mas eles não se dão conta de que as fontes das informações que recebem são contaminadas, que estão sendo manipulados pela indústria de diversas maneiras.

Que a indústria controla a informação sobre remédios apresentados em encontros médicos, em publicações médicas, em toda fonte de informação da qual eles dependem. E não gostam quando descobrem isso.

Viomundo – Como é possível mudar tudo isso se a indústria controla a pesquisa e o desenvolvimento de novos remédios, os testes em humanos, tem um dos maiores lobbies no Congresso e assim controla as leis escritas a respeito dela. Como escapar dessa situação?

AFB – Acho que é preciso promover mudanças em várias frentes. Algumas coisas mudaram um bocado, nos EUA, nos últimos cinco a dez anos. Ainda existe muito a fazer, mas acho que boa parte é expor os problemas.

Trabalhos como o da ProPublica divulgando na internet os pagamentos para médicos, de forma simples e acessível. A divulgação obrigatória [do que os médicos recebem da indústria] é importante. Mas não é suficiente.

Algumas mudanças tem que vir da profissão médica mesmo. Ela tem que recusar a relação com a indústria em nível individual ou no nível das sociedades médicas que aceitam dinheiro da indústria. As sociedades médicas têm que parar de receber dinheiro.

Os médicos têm que recusar presentes e temos que tirar todas as pessoas que tenham qualquer conflito de interesse com a indústria farmacêutica dos órgãos decisórios sobre riscos e benefícios de remédios.

Tem que haver reformas legislativas também. Você mencionou a pesquisa, que é muito importante. Nos EUA, há 30 anos, o Instituto Nacional de Saúde financiava 70% de todas as pesquisas biomédicas. Agora, é a indústria que financia 70% das pesquisas biomédicas. Isso é um problema.

Precisamos de mais financiamento do governo. Testes financiados pelo governo às vezes descobrem que remédios antigos são melhores do que os novos. A indústria nunca vai financiar esse tipo de estudo. A indústria financia vários estudos e só publica aqueles dos quais gosta, o que faz sentido de um ponto de vista de negócios.

Viomundo – Sim. Mas não faz o menor sentido para a minha saúde.

AFB – Exato. Existe um movimento internacional para obrigar as empresas a divulgarem as informações de testes em humanos. Se não publicarem, têm que disponibilizar os dados para que outros pesquisadores possam publicá-los, o que é ótimo!

Isso vem do ativismo da comunidade da saúde. Mas algo tem que ser feito pela comunidade médica. Quando vamos à comunidade médica com nossas apresentações, quando lhes explicamos, em geral reagem bem.

Eles vão eliminar essas relações se acharem que são más para os pacientes. Então, parte da solução é a educação e também divulgação obrigatória, exposição, legislação, regulamentação… são várias frentes.

Fonte: SPF

23 de março de 2015

MEDICINA ÉTICA


De repente você vai ao médico e ele faz algumas perguntas sem pedir exames e diz que você está depressão, fadiga, insônia, má circulação, gastrite nervosa.... Receita um monte de remédios de laboratórios onde seus vendedores, realizam visitas toda semana deixando caixinhas de amostras grátis e uma premiação se ele inventar doenças drogando seus pacientes e prescrever as receitas indicando o laboratório... Cuidado!





A MÁFIA DA DOENÇA : ALIMENTÍCIA, MEDICINA E INDÚSTRIA FARMACÊUTICA


Assim como criamos benefícios, também 
criamos malefícios com a ciência 
[Dan McCoy, 1936-, Photographer 
(NARA record: 2389842) 
(U.S. National Archives and Records Administration)/Wikimedia Commons]


Doenças degenerativas: o que a ciência ocultou de você
Apesar dos incríveis avanços da ciência e da tecnologia, certas questões essenciais foram relegadas pela ciência e pela medicina. Entenda os porquês


É um fato que a nossa sociedade acostumou-se às doenças

Hoje as questões da saúde humana estão, em grande parte, voltadas ao estudo dos vírus e das infecções, ao controle das doenças cardiovasculares, do diabetes, da osteoporose, e ficamos na expectativa de alguma vacina ou panaceia milagrosa que cure definitivamente doenças como o câncer, a AIDS, o Mal de Alzheimer e outras.
A medicina deixou os cuidados com a saúde e as orientações para uma vida saudável – coisas que outrora eram as bases da verdadeira medicina e dos grandes médicos – em detrimento de focar-se no extermínio de micro-organismos.
Hoje, tutoriada pela indústria farmacêutica, a medicina tornou-se mais uma ferramenta para os grandes laboratórios venderem remédios, do que a ciência de orientar para a saúde e curar doenças.
Mas, mesmo sendo responsável por muitos desvios da verdadeira prática médica, a medicina contemporânea não é a única culpada pela má saúde média da população mundial.
Ampliando as lentes e o conhecimento
As nações que se desenvolveram associadas ao gigantesco processo de industrialização global pós-Revolução Industrial criaram sociedades complexas, fundamentadas na ciência moderna, a qual supunha ter estabelecido as bases para o entendimento e o controle dos processos físicos e biológicos, incluindo a saúde humana.
O extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico habilitou as nações a edificarem um mundo novo, proporcionando, inclusive, novas condições de moradia e saneamento ambiental para milhões de pessoas, o que, junto com o descobrimento e o desenvolvimento dos antibióticos, praticamente eliminou as graves epidemias infecciosas.
Além disso, possibilitou uma ampliação incrível das pesquisas sobre o universo, tanto no aspecto microscópico, através das pesquisas dos micro-organismos e do mundo subatômico, como no macroscópico, através da astronomia e da astrofísica: o homem moderno passou a enxergar a vida minúscula que povoa o mundo e que também o habita (bactérias, vírus, anticorpos, fungos etc), mas também retirou os olhos do pequeno planeta em que habita para redimensionar-se dentro de um vatíssimo e absolutamente complexo cosmos.
A ciência ampliou suas lentes e o seu conhecimento, tornando visível o que outrora apenas pousava no campo da especulação e das hipóteses, e, ao mesmo tempo, instrumentalizou o homem para lidar com boa parte das instâncias materiais da vida e interagir voluntariamente para o controle e o direcionamento dos processos, afim de manipular as diferentes matérias, obter bens e o domínio sobre a vida.
A partir do controle e uso dos rios, da energia elétrica, dos processos químicos, das brilhantes técnicas cirúrgicas, da manipulação genética e até das assombrosas viagens interplanetárias, o homem vem ganhando domínio sobre os processos materiais em praticamente todos os âmbitos da vida.
E é por isso que à ciência contemporânea é dado o aval máximo e o posto de orientadora e de lider em relação aos rumos e decisões que regulam e dirigem as sociedades contemporâneas: nós a coroamos como a governante de nossas vidas e destinos.
Mas, se a ciência tem dirigido tão bem as nossas escolhas e rumos, opinado e atuado tão eficientemente para o nosso progresso em tantas frentes, porque as doenças degenerativas continuam se alastrando e aumentando e a ciência médica tem sido tão ineficiente em previní-las e saná-las?
A resposta é complexa, desagradável e difícil de ser admitida, mas serve às pessoas sérias, aos cientistas íntegros e aos profissionais da saúde que realmente amam o que fazem: a mesma ciência que proveu as sociedades de incalculáveis conhecimentos e tecnologias valiosas, vem cegamente arruinando-as com tantos outros conhecimentos aparentemente corretos e tecnologias aparentemente positivas, mas que são, na verdade, erros graves (intencionais ou não) e enganos que vêm gerando sérias consequências.
Não é novidade que os pesticidas, o uso maciço de hormônios e antibióticos, as radiações nucleares, os transgênicos e outros tantos elementos criados pela ciência produziram graves danos aos seres humanos e efeitos devastadores para o planeta.
Porém, ainda existe uma outra questão crucial que, apesar de ter sido “martelada” e alertada com veemência por higienistas, naturalistas, bons médicos e cientistas idôneos durante décadas, não foi até hoje assumida completamente pela comunidade científica e nem pela indústria alimentícia, por óbvios interesses financeiros: o refinamento e o “beneficiamento” dos alimentos industrializados como causa essencial das doenças modernas.
Essa questão é tão fundamental para a saúde que chegam a ser criminosas as omissões das autoridades sanitárias, da indústria alimentícia, dos cientistas e da própria medicina a esse respeito. Isso porque a alteração dos alimentos durante esse processo de transformação industrial empobrece e/ou deforma as caracteríscas originais de muitos alimentos de tal forma que praticamente todas as doenças degenerativas, como o câncer, o diabetes, os problemas cardíacos, a hipertensão, a osteoporose, as cáries, os problemas ortodônticos, a obesidade, a síndrome metabólica, os distúrbios hormonais femininos e outras, têm suas causas na alimentação moderna.
Não importa o quanto se combatam essas doenças e o seu avanço com remédios, porque suas causas estão na alimentação disfuncional. Não importam quantas pesquisas sejam feitas para entender as causas microbiológicas do câncer, seja ele de pele, intestinal, de próstata, ou outros, a maioria se deve a uma profunda desorganização funcional do metabolismo, devido a carências nutricionais e intoxicações químicas crônicas advindas dos alimentos industrializados (Claro que existem questões emocionais severas também associadas ao câncer, mas mesmo essas são desconsideradas pela ciência oficial).
Descobertas nesse sentido foram feitas por grandes e imparciais cientistas. Suas constatações e descobertas são claras, lógicas e, muitas vezes, simples e evidentes, mas devido à ameaça que essas descobertas representam para o status e para os ganhos de muitos cientistas, assim como para a ambição de muitos empresários e industriais ligados à produção de alimentos, suas pesquisas e descobertas foram ocultadas, desacreditadas, ou mesmo impedidas de serem amplamente divulgadas para o público.
Nós vamos abordar algumas dessas pesquisas e descobertas – algumas das quais fascinantes – nos próximos artigos, e pretendemos oferecer recursos corretos e biologicamente ideais para o saneamento de algumas dessas doenças degenerativas.

A indústria farmacêutica e a perpetuação das doenças
Para a indústria farmacêutica e uma parte da medicina e dos médicos as doenças se tornaram uma fonte inrterminável de lucros e enriquecimento

A indústria farmacêutica pretende alcançar em 2015, somente no Brasil, um mercado de R$ 110 bilhões, segundo estudo do IMS Health (ProjectManhattan/Wikimedia Commons)

A distorção dos princípios e da ética da indústria farmacêutica e de boa parte da medicina 
Hoje, a maioria das pessoas está descontente com os resultados da medicina convencional, e isso tem fundamentos.
A medicina moderna baseia-se na ciência experimental, que está fundamentada no “método científico”, o qual integra em si os conceitos e princípios da física newtoniana, do cartesianismo e do empirismo moderno. Disso resulta uma medicina que tem uma base filosófica materialista e utiliza os experimentos, a análise, a lógica, a dedução, as leis da física e os cálculos matemáticos para formar uma visão do ser humano, de suas doenças, dos métodos terapêuticos e da cura.
Apesar do grande conhecimento físico sobre o corpo humano gerado pela medicina moderna e dos sucessos na aplicação dos recursos terapêuticos para o tratamento das doenças, seus princípios e sua metodologia resultaram numa visão árida, incompleta e fragmentada do ser humano.
Essa visão materialista encara o ser humano como um ser puramente biológico, vivendo dentro de um ambiente material e relacionando-se através de seus instintos e produções psíquicas. Suas produções psíquicas são consideradas apenas como subprodutos de suas reações bioquímicas.
A partir dessa visão, em geral, desconsideram-se os significados emocionais e existenciais da vida do paciente, e as relações entre a sua mente e o seu corpo na formação de suas doenças são praticamente desprezadas. Isso ocasiona uma perda do sentido integrado do indivíduo com os vários aspectos de sua vida e impede uma compreensão sábia e inteligente sobre as reais causas de suas doenças por parte do médico – que devido a isso é incapaz de tratá-lo em profundidade, mediante os métodos corretos.
Além disso, como a medicina moderna desumanizou-se e desespiritualizou-se – perdendo parâmetros e princípios humanos, espirituais, integrativos, holísticos e mesmo éticos -, ela também degenerou-se, submetendo-se e até associando-se às grandes multinacionais farmacêuticas, criando uma “indústria da doença”, onde o foco não é mais a pessoa, mas sim a doença e o remédio. É por isso que hoje o foco da medicina e da farmácia modernas não é mais a busca da saúde humana, mas sim a pesquisa de remédios e de métodos para tratar doenças e oferecê-los continuamente aos doentes.
Gerou-se um ciclo vicioso de criar remédios e terapias para as doenças, sem buscar as causas fundamentais das mesmas, que normalmente estão nos conflitos psicológicos dos indivíduos. Consequentemente, as doenças humanas e suas curas reais ficaram em segundo plano, e, devido ao interesse financeiro e a ignorância, toda a ênfase foi dada à pesquisa dos remédios químicos.
Segundo um estudo da IMS Health – empresa que fornece informações, serviços e tecnologia para o setor de saúde no mundo – a indústria farmacêutica pretende alcançar em 2015, somente no Brasil, um mercado de R$ 110 bilhões. Já, no mundo, em 2011, o mercado farmacêutico alcançou cerca de U$ 950 bilhões.
Os gráficos e relatórios da IMS Health mostram um interesse evidente em lucros, mostrando as posições das empresas farmacêuticas dentro do ranking mundial de vendas de remédios etc. Ítens como o “Top 20 de produtos globais” e “Melhores empresas de vendas nos EUA” evidenciam claramente não as pesquisas sobre a saúde, sobre a cura de doenças e o bem-estar humano, mas a ganância que está por trás, por exemplo, do interesse no crescimento e no aumento de vendas em relação às 20 doenças que afetam mais as pessoas nos EUA (“Top 20 classes terapêuticas”).
É chocante, mas real: as doenças são vistas a partir da perspectiva da venda de remédios; são vistas como fonte permanente de lucros e enriquecimento, e como meio para o sucesso na escalada do mercado global.
O que fazer a partir desse cenário?…
As pessoas precisam aprender sobre o seu próprio organismo e sobre o que é ser saudável. Precisam educar-se sobre a sua saúde, sobre os meios naturais de tratar-se e curar-se e sobre as boas práticas para a saúde. E, quando for preciso, buscar os bons médicos e terapeutas que têm uma visão humana e integrada das pessoas, e que usam meios naturais e alternativos para o tratamento, a cura e o restabelecimento da saúde.
Mas, precisamos ser cuidadosos, porque também nos meios ditos alternativos existem pessoas ambiciosas e embusteiras, e por isso, precisamos usar a nossa sensibilidade e inteligência para discernir entre os bons e os maus médicos e terapeutas.
Em geral, os médicos e terapeutas mais doces e humanos, que não cobram exorbitâncias e que são interessados e atentos em nós e na resolução de nossos problemas, são os realmente bons.

É chocante, mas real: as doenças são vistas a partir da perspectiva da venda de remédios, são vistas como fonte permanente de lucros e enriquecimento, e como meio para o sucesso na escalada do mercado global" 

Alberto Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

O Dr. Sydney Bush desenvolveu um meio de reverter a arteriosclerose, que pode ser confirmado por meio de fotografias da retina (Robert Walker)

A máfia da doença: alimentícia, medicina e indústria farmacêutica

Assim que se lê “a prevenção é melhor que…”, se pensa na cura para alguma coisa. Mas nos últimos 50 anos, “cura” se tornou uma palavra suja no ramo farmacêutico. “A cura é algo muito caro” é a crença comum. Como isso corresponde à situação real?
Fortes incentivos financeiros apoiam prolongar o tratamento o quanto possível. A prevenção farmacêutica está limitada a vacinas. Elas são destinadas a preservar as pessoas de eventuais tratamentos de doenças.
Enquanto o escorbuto é uma fonte definida de 100 doenças – incluindo as doenças fatais mais comuns em jovens e adultos -, o governo do Reino Unido não tem entusiasmo em prevenir o escorbuto e não paga pela vitamina C dos pacientes. Nem é provável que a política de saúde nos EUA faça algo diferente.
As vacinas são imensamente lucrativas – e controversas. A vacina MMR combate sarampo, caxumba e rubéola. Mas o médico pioneiro Fred Klenner descobriu que seus pacientes infectados com caxumba, sarampo ou mononucleose podiam retornar às atividades normais 24 horas após tomarem doses de vitamina C, que fossem toleráveis aos intestinos.
Ele não usou a expressão “toleráveis ao intestino”. Esse termo foi bolado por outro notável médico, o falecido Robert Cathcart III, MD, que era um ávido aluno de Klenner. Como Klenner, o Dr. Cathcart foi um marco da honestidade médica. Ao considerarem a tolerância do intestino, Cathcart, assim como Klenner, descobriram que quase qualquer infecção comum podia ser curada, independente de ser um vírus fatal, veneno de cobra ou bactéria.
Quantos morreram desnecessariamente de infecções SARM (Staphylococcus aureus resistente à meticilina)? Procure no Google por “Bush, MRSA, Biant” para ver meus artigos no British Medical Journal (BMJ) sobre este assunto.
Como a indústria farmacêutica reage a isso? Isso é ignorado. A máfia farmacêutica (a aliança entre as indústrias farmacêutica, médica e alimentícia) produz uma lista sempre crescente de produtos químicos em nossa alimentação.
Margarinas são feitas com óleos artificiais, produzidos originalmente pela indústria de tintas, algumas vezes contaminados com níquel; certamente um exemplo de alimentos processados que somos aconselhados a evitar. Parece que a margarina é duvidosa para a saúde, mas algumas chegam a usar a imagem de um coração para promovê-las.
Ainda que alguns bioquímicos [que trabalham produzindo margarinas] evitem que a margarina tenha contato com suas peles, ela é exibida junto à manteiga em supermercados, o que é uma piada. Ela não precisa de refrigeração. Colocá-la ao lado da graxa de sapato seria mais adequado. Após um mês, a manteiga é consumida pelo mofo. Já os microrganismos – como o mofo – rejeitam a margarina.
Promovida para a prevenção de doenças cardíacas, a margarina contém óleos insaturados que são ditos como redutores de colesterol plasmático. Mas que os radicais livres causem doenças cardíacas (Dr. Denham Harman, Lancet, novembro de 1957), isso não preocupa os fabricantes. Harman disse que esta hipotética cura para doenças cardíacas pode ser “pior que a doença”.
Meus artigos no BMJ são ignorados. Eu me ofereci para verificar as arterias da retina daqueles que tomam estatinas para o tratamento do colesterol. “Evitar danos falando sobre os excessos” [cometidos pelas pessoas] é um objetivo digno, eu escrevi. Mas falar isso é uma ameaça para os bilhões de dólares feitos com a droga mais rentável da história.
Claramente, eu provei meu ponto. Soluções finais para tratamentos (ou seja: curas) são atualmente inaceitáveis. As curas custam muito caro [para tais indústrias: farmacêutica, médica e alimentícia].

O Dr. Bush pratica optometria no Reino Unido. Seu website é:
LifeExtensionOptometry.org

A desonestidade da indústria farmacêutica
Sem ética alguma, a indústria farmacêutica omite dados de suas pesquisas e induz as pessoas a consumirem remédios ineficazes ou danosos.

Depois de tantos testes com medicamentos, quanta sujeira foi varrida para debaixo do tapete? (FDA graphic by Michael J. Ermarth/Wikimedia Commons)

Para saber se um remédio ou tratamento é eficaz, realizam-se testes aleatórios controlados. O medicamento testado, um placebo ou outra droga, é ministrado aleatoriamente aos participantes. Nem os pesquisadores nem os participantes sabem quem tomou o quê. Monitoram-se os sintomas, os efeitos colaterais e outros indicadores. Depois de certo tempo, o pacote é aberto e ficamos sabendo o que tomavam os diferentes participantes. No entanto, embora muitas pessoas (geralmente os fabricantes) digam que há muita pesquisa por trás de uma substância, geralmente a pesquisa publicada só conta parte da história.
Há pouco tempo, os resultados das pesquisas com a sinvastatina e a ezetimiba, utilizadas nos Estados Unidos para reduzir o colesterol, tiveram de ser extraídos à força dos laboratórios que as produziram. Foram precisos dois anos para que os fabricantes entregassem os resultados após a conclusão dos testes. Depois da divulgação das informações, pôde-se entender o porquê da demora: a combinação das duas drogas é ineficaz na redução dos sintomas de doenças cardiovasculares. Estudos posteriores apontaram resultados negativos.
A indústria farmacêutica deseja publicar só as pesquisas que apoiem o uso dos medicamentos e que deixem de lado os resultados negativos. Existe uma expressão para esta prática: ‘viés de publicação’.
O ‘viés de publicação’ já existe há décadas, mas só há pouco tempo membros da comunidade científica tomam providências para acabar com ela. Um passo importante neste sentido foi a decisão dos Estados Unidos de que as análises de drogas sejam registradas num banco de dados central, antes ou durante a análise. Assim, o estudo é registrado, e se os resultados misteriosamente ficarem ocultos, isto poderá ser questionado.
O caso de um antidepressivo

É natural perguntar como é possível que muitas drogas ganhem reconhecimento com base no ‘viés de publicação’. Pesquisadores honestos estão dispostos a enfrentar esta questão e reavaliar o uso de medicamentos baseados no que foi publicado, e também no que foi omitido.
Em 12 de outubro, o British Medical Journal divulgou um caso em seu website: pesquisadores alemães decidiram avaliar as informações publicadas e omitidas sobre o antidepressivo reboxetina, medicamento relativamente novo.
A reboxetina ajuda a manter os níveis de noradrenalina no cérebro, substância que, conforme se crê, melhora o humor, e é semelhante aos antidepressivos mais comuns.
Pesquisas publicadas anteriormente mostram que a reboxetina é mais eficiente que o placebo nos tratamentos da depressão. Seu uso foi autorizado em muitos países europeus, inclusive no Reino Unido e na Alemanha, desde 1997.
No entanto, os pesquisadores descobriram que mais da metade das informações sobre a reboxetina deixaram de ser publicadas. Ao se avaliar todas as informações, concluiu-se que a reboxetina é similar ao placebo, mas causa mais prejuízos à saúde. Os pesquisadores concluíram que a reboxetina é “um antidepressivo ineficaz e potencialmente prejudicial”. No entanto, seu uso foi autorizado na Europa há mais de uma década.
Os autores da análise observaram que, no Reino Unido, o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica (INSEC) descreve a reboxetina como “superior ao placebo e tão eficaz quanto outros medicamentos usados no tratamento da depressão”.
Nos Estados Unidos, a reboxetina foi autorizada a princípio, porém depois se revogou sua licença. A diferença em relação a países da Europa sugere que as autoridades americanas possuíam mais informações nas quais basearam sua decisão, ou talvez possuíssem diferentes critérios para conceder licenças.
Estas discrepâncias e este flagrante exemplo de ‘viés de publicação’ inspiram desconfiança. A boa notícia é que pelo menos um grupo de pesquisadores não se conforma em trabalhar apenas como mandam os investidores da indústria farmacêutica, mas realmente se esforçam por alcançar a verdade. Com certeza, encontraremos muito mais sujeira nos próximos anos ao levantar apenas um pouco o tapete.

O Dr. John Briffa é um médico de Londres e escreve sobre saúde, com interesse em nutrição e medicina natural. Seu website é Drbriffa.com

Fonte: Epochtimes

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Lucro até o osso
– Existe um número muito maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante, para a indústria farmacêutica, fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso. Uma delas é mudar o padrão do que se caracteriza como doença. Outra é criar novas doenças.
Parece teoria conspiratória. Mas a declaração da médica e professora Adriane Fugh-Berman é baseada em anos de pesquisa a respeito das práticas da indústria farmacêutica e da facilidade com que ela manipula os médicos, usados não apenas para vender remédios, mas também para promover doenças. No momento, ela está pesquisando algo que descobriu faz pouco tempo. Representantes de fabricantes de material cirúrgico muitas vezes são vistos dentro de salas de operação “ajudando” os cirurgiões. “Que relacionamento é esse?”, quer saber a pesquisadora.
Adriane Fugh-Berman é formada pela escola de medicina da Universidade Georgetown com especialização em medicina familiar. Militou em uma organização voltada à saúde da mulher e ouviu muitos desaforos de médicos, há duas décadas, quando reclamava que não existiam estudos comprovando a necessidade de tratamentos hormonais para mulheres na menopausa. Existia, isso sim, risco — como mais tarde ficou comprovado. O tratamento hormonal aumentou em muito os casos de câncer de mama e a prática mudou. Antes disso, ela ouviu muitas críticas em conferências e seminários médicos.
Quando embarcou no estudo e no programa de educação a respeito da relação dos médicos com a indústria farmacêutica, ela esperava uma reação ainda pior. Professora adjunta do Departamento de Farmacologia e Fisiologia da Georgetown, ela recebeu uma verba para estruturar o programa voltado para a educação dos médicos e para expor as práticas de marketing da indústria, os métodos que ela emprega para influenciar a prescrição de medicamentos. Tarefa espinhosa.
Filha de um casal ativo nos anos sessenta, nos protestos contra a guerra do Vietnã, a médica e professora Adriane Fugh-Berman abraçou a oportunidade e criou um blog bem sucedido, com informações e denúncias de gente que trabalhou na indústria farmacêutica e aprendeu as técnicas empregadas para conquistar e influenciar os médicos. Nos últimos dez anos, ela viu resultados do trabalho nos Estados Unidos. Mas alerta que a indústria farmacêutica vê o Brasil, a China e a Índia como os principais mercados para a expansão da venda de remédios.
Fugh-Berman escreveu vários artigos mostrando que a indústria seleciona profissionais ainda em formação, nos chamados Cursos de Educação Continuada (CME). Vendedores bem preparados identificam possíveis formadores de opinião nos centros médicos das universidades: médicos, enfermeiros e assistentes. Eles são paparicados.
Recebem presentes, atenção, são convidados para jantar. Depois de uma checagem, são escolhidos os que poderão falar em nome da indústria e servir aos propósitos mercadológicos. Enquanto falam o que a indústria quer ouvir e divulgam, no setor, a visão das empresas, continuam recebendo todos os privilégios. Assim, as farmacêuticas vão comprando acesso aos profissionais que podem prescrever e promover remédios.
Fonte Viamundo

28 de junho de 2014

A FARSA DO SOL

Prescrição de 10.000 UIs de Vitamina D Traria para a Indústria Farmacêutica uma Perda de Trilhões de Dólares



Nunca levamos a sério o termo “vitaminada”, usado durante muito tempo para definir uma pessoa forte, atraente, saudável. Pois deveríamos levar, principalmente se o sujeito em questão for alguém em dia com a vitamina D, uma substância que controla 229 genes de todas as células humanas. Mas o valor desse hormônio, considerado hoje em dia um dos mais importantes para a saúde humana, só foi descoberto em 2010. Sem vitamina D, a pessoa está sujeita a desenvolver uma lista enorme de doenças neurodegenerativas e autoimunitárias, como Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, lupus, miastenia gravis, artrite reumatoide, psoríase e diabetes do tipo 1.

O neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), remete às 32 mil publicações que relacionam a deficiência de vitamina D ao alto risco de câncer; das mais de 20 mil que associam o nível baixo ao diabetes; e das 17 mil que associam o mesmo déficit à hipertensão. “Mulheres com baixos níveis de vitamina D dificilmente engravidam, e quando engravidam, abortam no primeiro trimestre da gestação. Caso levem a gestação adiante, o bebê pode nascer com malformações congênitas.”

Produzido há pelo menos 750 milhões de anos, esse hormônio pode ser sintetizado não só pelos seres humanos, mas também por diversos organismos, inclusive os do fitoplâncton e zooplâncton, e outros animais que se expõem à luz. A vitamina D é mensurada em International Units (IU), o que corresponde na língua portuguesa a Unidades Internacionais. A exposição ao sol de partes do corpo, como braços e pernas, por 20 minutos, garante a produção de aproximadamente 10 mil UI. É quase impossível obter a mesma quantidade por meio da alimentação, pois a produção de 10 mil UI exigiria cerca de 100 copos de leite por dia.

Segundo Coimbra, a vitamina D não pode ser considerada pelo fator nutricional porque a ciência tem demonstrado que a pele humana, exposta ao sol, se transforma em uma glândula endócrina, produtora do hormônio. A ideia de desenvolver um quadro de hipervitaminose ou envenenamento por vitamina D, que pode desencadear sintomas tóxicos, é pouco provável. Conforme o neurologista, existe desinformação generalizada não só entre a população geral, mas também na classe médica.

Confinamento

“Durante centenas de milhares de anos, o homem tem vivido com o sol; nossos ancestrais viveram mais frequentemente ao ar livre do que em ambientes fechados. Desenvolvemos dependência pela luz do sol para a saúde e a vida, de modo que a ideia de que a luz solar é perigosa não faz sentido. Como poderíamos ter evoluído e sobrevivido como espécie, se fôssemos tão vulneráveis a algo a que o ser humano tem sido exposto constantemente ao longo de toda a sua existência?”, indaga Frank Lipman, clínico geral e especialista reconhecido internacionalmente nos campos da Medicina Integrativa e Funcional.

Na mesma linha, Coimbra aponta o estilo de vida contemporâneo como o principal vilão da deficiência de vitamina D no organismo. Na sua opinião, as pessoas passam a frequentar os shopping centers em vez de ir aos parques. Saem de seus apartamentos, tomam o elevador que já dá acesso à garagem, entram em seus automóveis e chegam ao seu destino. Outra vez, garagem, elevador, local de trabalho. Ele diz que isso nunca aconteceu na história da humanidade. Hoje, uma pessoa é capaz de passar um ano inteiro de sua vida, sem expor uma nesga de sua pele ao sol. Vive de um ambiente confinado para outro.

Nesse ritmo, no período do inverno, 77% da população paulistana está com nível baixo de vitamina D, o que melhora no verão, quando o índice cai para 39%. Enquanto isso, na Europa, a cada ano há 6% a mais de crianças com diabetes infanto-juvenil. Seduzidas pelas diversões eletrônicas, elas abandonam cada vez mais as atividades ao ar livre. “Os pais ficam satisfeitos porque elas estão longe da violência urbana, mas não percebem que os filhos estão se transformando em diabéticos pelo resto da vida”, reforça o neurologista.
Em contrapartida, as pessoas idosas também fazem parte de um dos grupos mais suscetíveis à deficiência desse hormônio. Por exemplo, a aposentadoria reduz suas saídas à rua, isso resulta em uma menor exposição solar. A pele dos idosos tem apenas 25% da capacidade de produzir vitamina D em relação a uma pessoa jovem de 20 anos. Ou seja, eles precisam de quatro vezes mais de exposição solar para produzir a mesma quantidade de vitamina D, conforme Coimbra.

Outro agravante, as pessoas bloqueiam a radiação ultravioleta B, que auxilia na produção da “vitamina”, quando se lambuzam com protetores solares. Para se ter ideia, o fator de proteção solar número 8 diminui em 90% a produção de vitamina D. Já o fator 15 diminui em 99%, ou seja, praticamente zera a produção de vitamina D.

Horário ideal

No reino animal, lagartos adoram tomar sol. E por uma razão muito simples, eles não são capazes de aquecer seus corpos sozinhos, sem a ajuda do ambiente externo. Enquanto isso, os seres humanos, para manter a temperatura ou para se aquecer, necessitam de agasalhos. A conclusão é: o mesmo Sol que aquece esses animais nos ajuda a produzir a vitamina D. Portanto, se ele nos traz esse benefício, não há motivo para temer os raios solares!
Segundo o neurologista, o horário ideal para tomar sol, o momento em que a radiação ultravioleta é mais positiva para produzir vitamina D, é aquele quando a sombra tem a mesma extensão que a estatura da pessoa. Atualmente, isso ocorre pela manhã entre 8h30 e 9 horas. O ideal é aguardar meia hora para passar o protetor solar, porque após esse tempo, com ou sem protetor, a criança e o adulto não vão mais produzir vitamina D.

O mesmo vale para quem optar pela exposição vespertina. No final da tarde, quando a sombra tiver a mesma extensão da estatura da pessoa, os raios solares voltam a ter a mesma qualidade benéfica para produzir vitamina D. “Ao meio-dia, o sol está a pino e a sombra não existe. O indivíduo não produz vitamina D, só câncer de pele”, alerta Coimbra.

Influência

Nos dias atuais, a Internet é um campo fértil para se manter informado sobre este assunto, embora não esteja à disposição de todos. Há centenas de artigos a respeito, mas, infelizmente, muitos deles estão disponíveis somente em inglês. É o caso do texto do neuropsiquiatra John Cannell (http://goo.gl/LlQOK). Ele acusa pesquisadores da indústria farmacêutica norte-americana de estarem tentando alterar a molécula da vitamina D, para transformá-la em uma substância patenteável, ou seja, em remédio. A influência deles é tamanha, a ponto de se manterem unidos em comitês que “aconselham” o governo dos Estados Unidos a estabelecer a dose recomendável, entre 200 e no máximo 400 unidades por dia, bem aquém do necessário.

Além de prescrever doses mínimas, a maioria dos médicos sequer solicita dosagem da vitamina D no sangue. Coimbra ressalta que muitos especialistas, que acompanham pacientes com osteoporose e recomendam essa quantidade de suplementação, ficariam surpresos ao constatar o quão baixo é o nível dessa substância no sangue.

Cannell denuncia exatamente isso. “Só deixando a pele dos braços e das pernas expostas, uma pessoa de pele clara e jovem produz 10 mil unidades de vitamina D. Essa quantidade é 50 vezes maior do que aquela colocada à disposição do público como suplemento de vitamina D, com o título da dose recomendada. Caso fosse prescrito metade disso (5 mil) para toda a população adulta, haveria redução em 40% da ocorrência de novos casos de câncer. Isso representaria para a indústria farmacêutica uma perda de 40% de uma receita de trilhões de dólares”, completa.

Fontes: