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19 de agosto de 2011

GIORDANO BRUNO E EU = A MESMA PESSOA



Sempre admirei a figura ilustre e de peso como Giordano Bruno, que pra mim foi iluminado.
Recentemente, adquiri um de seus livros e ao ler a Epístola Preambular contida nele e que postarei em seguida neste blog, tive um êxtase em minha mente, me arrepiei, me emocionei, coisa que em nenhum livro ou escrito que li,  senti ao me deparar com alguém ao qual me vi nele e ele em mim. 


EPÍSTOLA PREAMBULAR
Para o Ilustríssimo
Senhor Michel de Castelnau
"Se eu, excelentíssimo cavaleiro, cuidasse de um rebanho, arasse a terra, plantasse uma horta ou costurasse um traje, ninguém me ouviria, muitos poucos me observariam, raros me censurariam e eu, de maneira fácil, poderia agradar a todos. Entretanto, por eu ser um estudioso da natureza, sempre atento para o que nutre a alma, ambicionado a cultura do espírito e debruçando-me na atividade intelectual, aquele que se vê observado vem me ameaçar, quem se sente visado assalta-me, quem é atingido ataca-me e quem se pega descoberto quer devorar-me. Não são poucos ou apenas um quem assim procede: são muitos, são quase todos. E a razão para isso, se se quer saber, eu digo: odeio o medíocre, tudo me desagrada, a multidão não me apraz e apenas tenho fascínio por uma coisa - aquela que me faz sentir livre sendo escravo, feliz na desgraça, rico na miséria e vivo na morte - e por ela não invejo os escravos da liberdade, os infelizes no prazer, os miseráveis na fartura e os mortos na vida, pois eles, no próprio corpo, possuem os grilhões que os aprisionam; na alma, o erro que os adoece; na mente, a letargia que os assassina, e não há misericórdia que os redima ou generosidade que os enleve, nem fulgor que os realce ou ciência que os avive. Disso deriva que não desisto da dura jornada quando estou esgotado, e nunca por indolência ignoro trabalho que me venha, nem por desespero fujo do inimigo ou por deslumbramento desvio o olhar do objeto divino; entretanto, geralmente sou rotulado de sofista, ou quem quer parecer mais sutil que verdadeiro, ou então ambicioso, que dirige seus esforços mais para incitar novos e falsos paradigmas do que para consolidar os antigos e verdadeiros, ou um trapaceador, que quer o reconhecimento obscurecendo seus erros, ou até um irrequieto, que ignora a boa conduta para arquitetar perversidades. Oxalá, Senhor, que as divindades distanciem de mim todos os que têm ódio infundadamente; oxalá que meu Deus me seja benevolente; oxalá que os reis do mundo me sejam favoráveis; oxalá as estrelas vejam-me à semelhança do que é a semente para o campo e o campo para a semente, de modo que no mundo surjam frutos úteis e glorificantes do meu trabalho, despertando a alma e o coração dos que não têm esclarecido seus intelectos, pois certamente não me dou a devaneios e, quando me equivoco,acredito não ser intencionalmente; na fala e na escrita não o falo pela vitória em si (pois esta é inimiga de Deus, odiável e obscura, se não baseada na verdade), mas por amor a sabedoria e entusiasmo pela legítima investigação fatigo-me, preocupo-me e incomodo-me. E isso será comprovado pelos argumentos do que demonstro, que se fundamentam no raciocínio lógico que vem de uma análise correta, formada por imagens verdadeiras que, como arautos, não são aprisionadas pelos fatos da natureza, mas existem para os que as buscam, são evidentes para os que as investigam, límpidas para todos os que as estudam e corretas para todos as que entendem. Eis, então, a minha investigação sobre o infinito, o Universo e os incontáveis mundos."
Giordano Bruno - Nola, 1548 - Roma, 1600






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