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24 de outubro de 2015

AMOR DE WHATSAPP - VALE A PENA LER E REFLETIR

 
Já dizia o poeta: “falar de amor não é amar, não é amor”.


Viciados em uma condição de relacionamento nova, conectamos nosso coração no bate-papo enquanto a burrice nos aplaude de pé por mais um chute no saco da felicidade. Aceitamos amar por mensagens e esquecemos que já dizia o poeta: “falar de amor não é amar, não é amor”. Acordar com um whats ganhou a mesma importância de um “bom dia” ao pé do ouvido. Engolimos – sem reclamar – a facilidade que os celulares trouxeram de encurtar os quilômetros de uma relação, sem nos dar conta de que ela transformou a distância dos corações em anos luz multiplicados por quantas vezes você puder imaginar.


No meu caso, me vi em confronto entre a realidade que eu queria e a imaginação que havia criado. A tal facilidade passou a me sabotar tantas vezes que a verdadeira aproximação com as pessoas se transformou em um caos. Homens estão procurando mulheres que possam valer a pena, mulheres estão procurando homens que queiram algo de verdade. E se ambos estão procurando a mesma coisa, por que é que ninguém consegue se encontrar?


Então desliguei o celular. E o mundo ficou gigante. Era bem maior do que o meu quarto. Bem maior do que o meu ego inflado por mensagens que no final das contas não diziam nada. E o amor era outra coisa e estava em outro lugar, muito além daquele quadradinho preto em minhas mãos. O amor não era mais aquele “bom dia gatinha”, nem aquela chuva de emoticons de coraçãozinho vermelho, roxo, amarelo, verde e o escambau. 


O amor não era mais o balãozinho no topo da minha tela pra avisar que alguém se lembrou de mim. Nem aquela imagem com poeminha fofo pra enganar a carência e cumprir protocolos de saudade. E a falta não era aquela agonia que me fazia apertar o botão do celular centenas de vezes para ver se chegou uma mensagem nova, mesmo quando ele não tocava e eu já sabia que não havia nada ali. Era bem mais do que isso.


Era aquela conversa de olho no olho que você consegue quase contar os cílios do outro. Aquela risada que acontece na boca e não nos dedos enquanto alguém digita um “hahaha” sem esboçar qualquer coisa. O afeto deixou de ser uma foto enviada com um filtro bacana e passou a ser nossas olheiras sinceras se admirando depois um dia cansativo de trabalho. 


Deixou de ser um status escolhido minuciosamente para se tornar interessante e deu lugar a respiração profunda a poucos centímetros da pele. Os dedos desaprenderam o caminho da película fosca e encontraram outros dedos que desaprenderam o caminho da película lisa. Da capinha de caveiras. Da capinha com estampa de time. E se encontraram. E se assustaram porque a pele é quente e nos acostumamos a frieza de um super LCD. 


O companheirismo foi além de vídeos de autoajuda enviados durante as madrugadas para retirar a responsabilidade com o outro e se transformou em silêncio e colo. Em silêncio e aconchego.


O relacionamento aconteceu de fato, sem a interferência de tempo/espaço entre você enviar “estou pensando em você agora” e receber a resposta “eu também” 24 horas depois. 


Me desconectando cheguei a conclusão de que perdemos toda a beleza do mundo porque estamos olhando para a janela errada sentados em nosso comodismo. 


Afinal, homens estão procurando mulheres que queiram algo de verdade, mulheres estão procurando homens que possam valer a pena. E se ambos estão procurando a mesma coisa, talvez não tenham se encontrado porque ao invés de – de fato – se buscarem, estão apenas deitados em suas camas digitando…




Camila Heloíse
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