TUTORIAIS PARA USAR PARTICIPAR DESTE BLOG

22 de dezembro de 2015

A MENTALIDADE DE UM COXINHA



A expressão Síndrome do Vira-Lata (ou Complexo de Vira-Lata) foi cunhada pelo escritor Nelson Rodrigues nos anos 1950, após o Brasil perder para o Uruguai na final da Copa do Mundo no Maracanã.


Dizia o escritor que tal sentimento de ser o vira-lata do mundo não se dava apenas no esporte, mas em várias outras áreas.

“O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima”,

Afirmava Nelson Rodrigues.

A síndrome surgiu com ajuda dos países europeus e norte-americanos, dedicados a espalhar que a capital do Brasil é Buenos Aires e que falamos espanhol.

Em 1845, o Conde de Gobineu chegou ao Rio dizendo que os cariocas eram 
“verdadeiros macacos”.

Em pleno século 20, a culpa de nossa inferioridade era nossa miscigenação, como pensavam gente como Nina Rodrigues, Oliveira Viana e até Monteiro Lobato.

“O Brasil, filho de pais inferiores – destituídos desses caracteres fortíssimos que imprimem – um cunho inconfundível em certos indivíduos, como acontece com o alemão, com o inglês, cresceu tristemente – dando como resultado um tipo imprestável, incapaz de continuar a se desenvolver sem o concurso vivificador do sangue de alguma raça original”.

Disse Monteiro Lobato em 1903.

Depois, a culpa de nossa inferioridade era o calor tropical, as questões sanitárias, os escândalos de corrupção etc.

Ajuda o fato de o Brasil ser o criador da máquina de escrever, do avião e de 
biocombustíveis mas poucos saberem disso. Também nunca ganhamos um Prêmio Nobel, enquanto os vizinhos já levaram pelo menos no campo da literatura. No cinema, o sonho popular de ganhar o Oscar tampouco aconteceu ainda.

Mas será que o crescimento econômico, a Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016 e outros elementos que colocam hoje o Brasil em evidência no mundo nos curaram de tal síndrome?

Infelizmente, a resposta é não.

E parte da culpa está nos velhos hábitos da mídia nacional, que propagam e mantêm a síndrome de ponta a ponta do país.

Tomemos a TV Globo como exemplo.

Não existe emissora mais patriota do que a de Roberto Marinho. Praticamente todo jornalístico da TV Globo encerra com matérias exaltando nossa rica cultura,nosso talento para o futebol e a força do brasileiro.

Positivo?

Não.

Segundo o ensaísta Humberto Mariotti, trata-se apenas de uma reação contrária, supervalorizando a cultura nacional.

Em partes da sociedade de alguns países, como Cuba e Irã, tal reação contrária atinge níveis mais dramáticos, de rejeição do que vem de fora e encapsulando em si própria a cultura.

Trata-se de um patriotismo falso da TV Globo – e de vários outros grupos midiáticos – porque, se de um lado exaltam o Brasil, por outro reforçam a Síndrome do Vira-Lata.

Como?

Primeiro:

Tomando como fonte sempre os mesmos líderes mundiais, geralmente da Alemanha, EUA, França e Inglaterra, dando credibilidade de palavra final a líderes de países que, economicamente hoje, não andam lá muito fortes, mas preservam o poder graças à mídia.

Segundo:

Exaltando, em jornalísticos e programas de ficção, o “chique” que vem lá de cima, com reportagens repetitivas e constrangedoras da chegada da neve em Nova York, com protagonistas de novela iniciando a trama em Paris ou Londres, com personagens se dando bem por casarem com norte-americanos etc.

Terceiro:

Dando pouco espaço para a cultura nacional. Neste ponto, a TV Globo é a menos problemática, pois, bem ou mal, produz (e emprega) muito conteúdo nacional em novelas e minisséries.

Mas emissoras como o SBT vivem de exibir enlatados dos EUA e do México. Sem falar que todas elas dão espaço mínimo (quando não inexistente) ao cinema nacional.

Quarto:

Empregando estrangeirismos para dar o ar “sofisticado” a um evento (São Paulo Fashion Week), programa de TV (Big Brother Brasil), jornalísticos (Globo News) e até infantis (TV Kids).

Com a ajudinha da mídia, o resultado é devastador para o Brasil, da economia (nossos produtos são sempre piores que os importados), passando pela cultura (a superioridade de tudo que é falado em inglês ou que venha da Europa), desembocando na auto-estima, onde chegamos à Síndrome do Vira-Lata.

É dela que saem pérolas nacionais como “todo filme brasileiro é ruim ou baixaria”, “ele tem um carrão importado”, “a cultura tupiniquim” (no tom pejorativo do termo), “férias em Nova York? Que chique!” etc.

A boa notícia é que a Síndrome parece ter diminuído neste século 21, com o Brasil em evidência mundial.

Além disso, ela é um mau que assola chineses, indianos, africanos e muitos latino-americanos, e não apenas os brasileiros.

Por fim, os brasileiros, ao viajar mais para fora, estão se sentindo menos caipiras e mais parte do mundo, reconhecendo os problemas existentes do Canadá à Suécia.

Nosso complexo de vira latas midiático se evidencia quando a noticia é relativa á nossa diplomacia, a mídia detesta noticiar o sucesso da DILMA ao participar da fundação do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) quebrando assim a hegemonia estados unidense e os maiores incentivadores de nosso complexo de vira latas, sem duvida são o Arnaldo Jabour e a Miriam Leitão.

Para esses dois qualquer tentativa diplomática da Dilma é um fracasso.

A mídia assume o papel de moldar as formas da sociedade, deliberando sobre padrões de beleza, comportamento, tendências a serem seguidas, pessoas a serem idolatradas, enfim, pode-se dizer que a mídia assume o papel de dizer e traçar nossas características culturais, mesmo que de forma fútil e inútil.

Não existe imagem neutra. Tudo que ela apresenta tem que chocar, tem que gerar impacto, vibração, emoção. Toda informação tem seu aspecto emocional:

Nisso é que reside a dramatização da opinião de seus comentaristas.

Não se trata de uma mera narração isenta, nossa mídia manipula negativamente nossa imagem, é um nacionalismo ás avessas, ou melhor: 
É um anti-nacionalismo, um verdadeiro culto ao estrangeiro, principalmente aos 
Estados Unidos.

Que a Síndrome do Vira-Lata diminua cada vez mais, para o bem econômico e cultural do Brás.

Fonte: Debate
Postar um comentário